Como o título sugere, o livro “Eu, Robô” do escritor americano Isaac Asimov tem como tema central os robôs. O livro é uma coletânea de nove contos que retratam o desenvolvimento da robótica, desde a criação dos primeiros robôs cujas capacidades são semelhantes às humanas e mesmo superiores – como agilidade de movimento, raciocínio e resistência – até o surgimento daqueles que, divido à semelhança, principalmente física, aos humanos, podem transitar livremente entre os mesmos e, assim, assumirem cargos importantes na sociedade.
Apesar de o livro ser essa coletânea de contos, estes não são apenas apresentados no livro aleatoriamente, mas sim conectados através de uma macroestória que os envolve; o que cria uma pseudoaparência de um romance.
Por esse motivo, eu decidi dividir essa resenha em três partes, nas quais, em cada, falarei sobre três dos nove contos, pois acredito ser necessário falar sobre todos eles, mesmo que um pouco. Assim, nessa primeira parte, irei falar sobre as características da escrita, dos três primeiros contos e também dessa forma como o livro está estruturado: a macroestória citada acima, na quais estão intercalados todos os contos.

Sinopse: um do maiores clássicos de ficção científica, "Eu, Robô" é a pedra fundamental de um universo em que máquinas existem a imagem e semelhança dos homens. Em seus nove contos, Asimov mostra o desenvolvimento desses contos, desde primitivos homens mecânicos que controlaria o mundo e tornaria obsoletos os seres humanos. Pelo caminho, robôs com senso de humor, robôs que leem pensamentos e robôs que enlouquecem. Nas nove histórias narradas pela lendária psico-roboticista Susan Calvin, está a evolução dos robôs por ela presenciada. Da desajeitada e muda babá até a complexidade da maquina de comandar o mundo, os contos mostram os obstáculos superados e os problemas enfrentados pelos pioneiros - humanos e mecânicos. Além disso "Eu, Robô" traz uma das mais perenes criações da ficção científica: as três Leis da Robótica, que garantem a autopreservação deles e, principalmente, a superioridade dos humanos. Se as leis são bem conhecidas, a maneira como aparecem e os desdobramentos das histórias seguem a imaginação caprichosa e a técnica de narrativa de Asimov, sem esquecer outra marca do mestre: o infalível senso de humor.
Os contos presentes no “Eu, Robô”, assim como outros do autor, foram escritos e publicados inicialmente em revistas dos Estados Unidos e foram de forma muito inteligente e inovadora compilados neste livro. Na época de publicação das estórias de Asimov, havia, entre os literários, o conceito, que ficou conhecido como Síndrome de Frankenstein, de que qualquer criação artificial ou humana voltaria-se contra seu criador, assim como Frankenstein. Assim, para ultrapassar tal conceito, Asimov cria as três Leis da Robótica, que podem ser conceituadas da seguinte forma:
⁻ 1ª - Um robô não pode ferir um ser humano, ou por inação, permitir que um ser humano seja ferido.
⁻ 2ª - Um robô deve obedecer as ordens dadas por um ser humano, a menos que essas ordens entrem em conflito com a primeira LEI.
⁻ 3ª - Um robô deve preservar sua própria existência, a menos que essa preservação entre em conflito com as primeira e segunda LEIS.
Essas leis são inscritas no cérebro positrônico de todo robô criado, de forma que é impossível desobedecê-las. Esse cérebro positrônico é o que torna os outros robôs anteriores a essa invenção obsoletos, como os feitos para cálculo. Ele é formado por uma esfera de vidro, onde há uma massa esponjosa de platino-irídio e trilhos positrônicos. É ainda esse cérebro que torna possível aos robôs raciocinar como um ser humano.
O “Eu, Robô” é iniciado por uma entrevista feita por um jornalista de 32 anos à “robôpscicóloga”, Susan Calvin, da maior empresa criadora de robôs do Estados Unidos, a Corporação Robôs e Homens Mecânicos dos Estados Unidos, também chamada de U. S. Robôs. Nessa entrevista, o jornalista da Empresa Interplanetária faz perguntas pertinentes ao 50 anos de desenvolvimento dos robôs, que é o tema central dos artigos que pretende publicar a partir dessa entrevista.
Para responder a essas perguntas, a Doutora Susan Calvin conta as estórias, para ela, mais marcantes e interessantes que ocorreram entre 1998 e 2052: o caso do robô-babá positrônico e não falante, do robô preparado para o solo de mercúrio, do robô descartes, do multirobô com problemas de iniciativa, do robô leitor de mentes, do robô modificado que se esconde entre os normais, da espaçonave intergaláctica, do robô que se torna prefeito e das máquinas que passam a controlar os meios de produção. Assim, os contos se intercalam entre momentos dessa entrevista. Dessa forma, a macroestória a qual me referi no início do post e que projeta uma pseudoaparência de romance no livro é essa entrevista contada do ponto de vista do jornalista.
Os contos:
As narrativas de Asimov são muito bem ritmadas. Por se tratar de contos, cada um deles se passam em apenas um ambiente e apresentam poucos personagem. Asimov percebia muito bem quais as necessidades dos leitores, por isso, seus ambientes e personagens, embora não serem aprofundados – já pela necessidade de não estender o texto – são contruído aos poucos, ao longo do texto, com a necessidade do leito por informações. Por isso, os textos são bastante objetivos e diretos, não há enrolações. Além disso, algo que não falta nos contos é um tom cômico ou até mesmo sarcástico.
Robbie
A primeira das estórias contadas pela "robôpsicóloga" Susan é sobre os primeiros robôs positrônicos. Apesar de serem tão desenvolvidos por causa do cérebro positrônico, eles não possuiam um mecanismo que os permitisse falar; assim, eram chamados de não vocais. Esses primeiros robôs foram desenvolvidos com a função única de cuidar de crianças, ou seja, eram robô-babás.
Dessa forma, o primeiro conto desenrola-se a partir de fatos ocorridos em 1998 com um robô-babá positrônico, não-vocal, chamado Robbie. Robbie foi criado em 1996 e vendido no mesmo ano para a família Weston, para cuidar de Glória. Robbie e glória passavam os dias brincando de várias coisas, entre elas, pique-esconde, de contar estórias, de imaginar que estavam no espaço...
– Ele não larga dela em momento algum – Grace Weston.
p. 30.
Etretanto, Grace Weston, a mãe de Glória, decide, a todo custo, livrar-se do robô e passa noites argumentando com seu marido, George Weston, para que ele faça o que é "certo". Para ela, Robbie não era seguro e sua filha tornaria-se antissocial. Além disso, sua maior preocupação é a opinião de seus vizinhos.
– (...) Eu não quero confiar minha filha a uma máquina. E não importa o quão esperta ela seja. Ela não tem alma e ninguém sabe o que pode estar pensando. Uma criança não foi feita para ser guardada por uma coisa de metal. – Grace Weston.
p. 31.
– (...) Ela não brinca com mais ninguém mais. Há meia dúzia de meninos e meninas com quem ela poderia fazer amizade, mas ela não quer. Ela nem chega perto dele, a menos que eu a leve lá. Isso não é jeito de uma menina crescer. Você quer que ela seja uma pessoa normal, não quer? Quer que ela tome parte na sociedade, não quer? – Grace Weston.
p. 32.
Assim, o foco central desse conto é a reação da sociedade com a chegada desses robôs com supercapacidades. Será seguro confiar nesses seres artificiais? Será que é confiável se assegurar nas Leis que os roboticistas afirmam não poder ser desobedecidas? Será que é correto retirar uma função humana e dá-la a uma criatura vazia, sem alma? Quais as consequências desse acontecimento?
Brincando de pique
Com o desenvolvimento de robôs móveis falantes, todos os robôs não vocais tornam-se obsoletos. O movimento anti-robô que já vinha crescendo tomou forças tão grandes a ponto de fazer governos proibirem o uso de robôs na Terra para fins que não fossem pesquisa científica. Assim, a U. S. Robôs foi obrigada a desenvolver um outro mercado para conseguir superar esse crise, voltando-se, então, para o mercado extraterrestre.
Por esse motivo, esse segundo conto vai ter como pano esse mercado extraterrestre. Dois roboticistas da U. S. Robôs, Michael Danovan e Gregory Powell, responsáveis pelos testes de campo dos robôs são enviados a estação de mineração em mercúrio na tentativa de desenvolver esse mercado extraterrestre, usando técnicas e robôs modernos. Dessa vez, o robô em questão é o SPD - 13, também chamado de Speedy. Essa já era a segunda tentativa de expansão de mercado, já que a primeira não havia surtido efeito, foi financiada por duas empresas: a U. S. Robôs e a Solar Minerals, e ocorre por volta de 2015.
Ao contrário de primeiro conto, o "Brincando de Pique", por sua vez, vai conter o relato, não sobre a função do robô, mas o resultado dos conflitos entre as Leis inscritas em seu cérebro positrônico, nesse caso, o conflito entre a Segunda e Terceira Leis. Isso ocorre porque os robôs da narrativa estão ainda em teste, como Speedy é um robô próprio para a mineração em mercúrio, este é lugar onde ele é testado.
– (...) O conflito entre as várias leis é medida pelos diferentes potenciais positrônicos no cérebro. Vamos dizer que um robô caminhe ao encontro do perigo e tenha consciênia disso. O potencial automático que controla a Terceira Lei fz ele voltar. Mas suponha que você ordene a ele para se aproximar do perigo. Nesse caso a Segunda Lei estabelece um contrapotencial mais alto do que a anterior e robô segue as ordens, mesmo colocando em risco sua própria existência. – Gregory Powell.
p.69.
E é exatamente isso que acontece. Para reabrir a estação de mineração onde estão e não morrer com a temperatura do sol, os cientistas precisam alimentar as placas fotoelétricas que gera a energia usada. No entanto, para isso, eles precisam de selênio e estando na área iluminada de mércurio, é impossível sem a ajuda de um robô. Donovan delega, então, essa tarefa a Speedy, que, após horas, não retorna. O que donovan não sabia, porém, é que, no lago de selênio mais próximo, para onde ele mandou Speedy, devido a ação vulcânica, havia o escapamento de monóxido de caborno, cuja reação com ferro produz ferrocabonilas VOLÁTEIS. Em outras palavras, Speedy viraria gás.
É dessa forma, portanto, que o conflito entre as duas leis é gerado. Donovan e Powell encontram-se, então, às pressas para resolver o problema antes que a temperatura do sol os frite vivos.
Razão
Depois de resolver o sufoco na estação de mineração em mercúrio, Donovan e Powell são enviados para a estação Solar 5, uma estação onde é capturada energia solar e enviada para Terra. Dessa vez, eles tem de ensinar um robô fabricado para controlar o conversor de energia solar e o raio de energia que é direcionado a Terra, de forma que não seja desviado, causando um desatre. Esse robô é o QT - 1, chamado de Cutie.
Por algum motivo que não é descoberto, Cutie começa a raciocionar de forma muito estranha e diferente dos outros robôs, segundo os argumentos de Descartes. Ele fica curioso para saber quem é o seu criador e, mesmo após Powell responder-lhe várias vezes, ele não se conforma. Em uma mostra de pesamento cartesiano ele afirma que toda hipótese so pode ser comprovada à luz da razão, e só deve para as busca pela comprovação ao alcançar a verdade absoluta, e, assim, continua em sua busca
– Eu passei os últimos dois dias numa introspecção concentrada – disse Cutie , e os resultados foram muito interessantes. eu comecei do pressuposto de que me permito considerar como correto. Eu existo, porque penso...Powell gemeu.– Por Júpter, um robô Descartes!p. 87.
Além desse pensamento cartesiano, Cutie vai ainda usar um outro argumento. Ele vai ainda afirmar que um ser não pode criar uma ser superior a si mesmo, sendo assim, por ele ter capacidades superiores às humanos, ele foi criado por algo superior aos humanos – assim ele conclui que foi criado pelo Conversor, já que é a ele que todos direcionam suas atenções, passando a chamá-lo de Mestre. Assim, inicia o conflito com a Segunda Lei, pois deixa de obedecer a Powell e Donovan, para servir ao Mestre.
Com medo de que uma chuva de partículas que se aproxima da estação tire de eixo o raio de energia e crie um desastre, Donovan tenta por fim, nessa "palhaçada" e exigir que Cutie preste atenção no raio. Porém, a situação só piora. Por "atrapalhar" os planos dele, o robô o prende, junto com Powell em uma sala, deixando-os sem acesso aos controles.
Eu, Robô – I, Robot
Autor: Isaac Asimov
Ano de Lançamento: 2004
Número de Páginas: 318
Gênero: Sci-fi
ISBN: 85-00-01529-2
ISBN: 85-00-01529-2
Editora: Ediouro
Boa leitura e até a próxima!
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