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Eu, Robô de Isaac Asimov – Parte 2

Olá, pessoal.

Esse post é a continuação do último post sobre o "Eu, Robô" de Isaac Asimov. Como falei na postagem anterior, acho inteiramente relevante falar um pouco sobre todos os contos, pois abordar superficialmente as características do livro e esquecer dos textos que o compõe seria reduzir em excesso um livro que muito contribuiu para os avanços da robótica atual.

Caso não tenha acompanhado a primeira parte, não custa dar uma conferida: Eu, Robô de Isaac Asimov – Parte 1

Dito isso, vamos logo dar continuidade!


Pegue Aquele Coelho
– Eu só estou dizendo – começou Gregory Powell, com a paciência de uma pessoa explicando eletrônica para um idiota – que, de acordo com as especificações, esses robôs foram equipados para minerar asteróides sem supervisão. Não se espera que fiquemos vigiando o trabalho deles.

– Tudo bem. Olhe, vamos usar a a lógica! – ele ergueu seus dedos cabeludos e contou. – Um: o novo robô passou em todos os testes de laboratório da fábrica. Dois: a U. S. Robôs garantiu que eles passariam no teste de desempenho real num asteróide. Três: os robôs não estão passando nos testes. Quatro: se eles não passarem, a U. S. Robôs perde dez milhões em reputação. Cinco: se eles não pssarem e nós não conseguirmos explicar por que eles não passaram, é bem possível que tenhamos que dar adeus a dois bons empregos.
p. 109-110.  
Pois bem, essa citação acima sela todo o conteúdo do conto em dois parágrafos. Assim, através dela é possível ver que: a estória se passa em um asteroide, onde está ocorrendo o teste de campo de um dos robôs desse modelo, no qual é verificado o sucesso ou a falha na mineração de irídio no asteroide; o ponto principal da estória é o problema de iniciativa desenvolvidos por um novo modelo de robôs (os DV), criado pela U. S. Robôs; e a questão das consequências de um possível resultado negativo para esse teste, tanto para a empresa quanto para os dois roboticistas.

Para fazer tal teste, é chamada, mais uma vez, a equipe Donovan-Powell para fazer os testes de campo com o robô DV-5, conhecido como Dave. Dave faz parte desse lançamento da U. S. Robôs ainda em testes, cujos robôs são chamados de robôs multiplos. Eles são conhecidos dessa forma pelo fato de, como o próprio nome diz, "serem formados" por mais de um robô. Em outras palavras, é criada uma equipe de sete robôs dos quais um é o líder dos outros seis – que obedecem suas ordens por uma questão de composição fisica de seus cérebros e se comunicam por campos positrônicos – e pelos quais também é responsável, assim como, o mais desenvolvido de todos. Assim, Dave é o líder dos seis "dedos" (como Powell e Donovan chamam) e apresentam um problema de iniciativa; na ausência de supervisores, ele se descontrola e faz coisas estranhas para um robô (que se assemelham a uma dança) e, posteriormente, não lembra do que fez.

Dessa forma, Donovan e Powell faram de tudo para descobrir o motivo de tal problema de iniciativa para,eventualmente, conseguirem resolver esse problema de forma bem inusitada.

Na minha opinião, esse conto não prende o interesse do leitor, nem traz muito conteúdo sobre a evolução da robótica da U. S. Robôs, como os outros. A estória é bastante simplista e sem muitos conflitos ou reviravoltas. Por esse motivo, acredito que, embora seja uma boa leitura para passar o tempo, não é um dos melhores contos de Asimov.


Mentiroso!


É a partir desse conto que o foco dos posteriores tomam outro rumo: deixam de narrar os problemas com robôs nos testes de campo para explorar acontecimentos que tem como ambiente a própria corporação U. S. Robôs, a cidade onde está sediada a corporação, o mundo e até mesmo outros planetas e distantes partes do universo.

No caso do conto "Mentiroso!", a estória se ambientaliza na Corporação U. S. Robôs. Durante a produção de um modelo de robôs, chamado RB, a ocorrência de um problema traz a um dos robôs a capacidade estranha de sintonizar-se com as ondas cerebrais humanas e, assim, conseguindo compreender os pensamentos das pessoas; "ler" os pensamentos delas. Esse robô é o Herbie – RB-34.
Graças a ocorrência desse problema, os chefes dos departamentos da Corporação; a robôpsicóloga Susan Calvin, o matemático Peter Bogert, o fundador e diretor da corporação, Robert Lanning, e Milton Ashe, o mais novo executivo,  têm de descobrir qual o motivo dessa capacidade de "ler mentes", tanto para poder evoluir a partir desse fato na área da robótica como também para evitar conflitos com os representantes dos movimentos antirobôs. Assim, é decidido manter em segredo tal fato robótico.
(...) – Aqui está um resumo. Nós produzimos um cérebro positrônico de uma série supostamente comum que tem a notável propriedade de ser capaz de sintonizar em ondas de pensamento. Isto seria o maior avanço da robótica em décadas, se soubéssimos como foi que aconteceu. Não sabemos e temos que descobrir. Está claro? – disse doutor Lanning.
p. 142.
Após uma reunião entre esses chefes de departamentos, é incumbido a cada um deles uma ação. Essas ações têm em vista descobrir qual o problema ocorrido com o robô: a robôpsicóloga fica responsável por avaliar o comportamento do Herbie; os matemáticos, por coordenar o trabalho e interpretar as respostas e Milton Ashe, por verificar toda a linha de produção e descobrir todos os processos nos quais poderia ter havido erro. Entretanto, com o que eles não contam é o bocado de problemas que essa capacidade de "ler mentes" vai lhes trazer.

Acredito que essa é o conto mais engraçado e surpreendente, por causa, principalmente, das confusões nas quais os chefes de departamentos são colocados. Além disso, é possível ter ciência do quanto problemático seria, para nós mesmo, se tivéssimos essa capacidade (Ufa! ... Ainda bem que não temos!). Vale a pena conferir!


Pequeno Robô Perdido


Devido a uma questão estatal, um dos robôs do modelo NS, o NS-2 ou Nestor 10, sofre uma alteração em uma das leis inseridas em seu cérebro; na mais importante delas. Isso acontece porque uma Hiper Base do governo, que mexe com partículas gamas, coloca seus funcionários em "exposição" a essas partículas radioativas. Na verdade, os funcionários usam todo o material de segurança adequado para não sofrer com essa radiação. Porém, sempre que um dos funcionários tem de entrar em "contato" com tais partículas, os robôs que o ajudam nas tarefas, em resposta a primeira Lei, expõem-se ao campo de radiação gama e acabam sendo danificados. Assim, para evitar a perda de tais robôs, a hiperbase realiza um acordo secreto com a Corporação U. S. Robôs para que essa 1ª Lei seja alterada, tornando-se apenas:

          Um robô não pode ferir um ser humano.

Em outras palavras, o robô que sofreu essa alteração não poderia ferir um humano, porém, caso, visse um humano sendo ferido, ele não realizaria ação alguma em defesa do humano em questão. No entanto, bem antes de poder verificar a validade dessa ideia de evitar a perca de robôs pela alteração da lei, um problema que aparentaria ser simples surge como sendo muito complexo. O robô NS-2, cuja Lei foi reduzida, esconde-se entre sessenta e dois outros iguais, nos quais a 1ª Lei continua a mesma. Eis que surge a questão: como distinguir o NS-2 dos outros NS-robôs normais?

Para resolver tal situação, são chamados a Hiper Base, a robôpsicologa chefe, Susan Calvin, e o então diretor matemático da Corporação U. S. Robôs, Peter Bogert. Assim, eles farão uma série de exaustivos testes de comportamento com todos os robôs. Além disso, eles descobrem novos padrões comportamentais do robô Nestor, devido a influência da alteração da 1ª Lei sofrida pela 2ª Lei.

Cabe aqui adicionar uma curiosidade. Apesar de o filme "Eu, Robô", com Will Smith interpretando o protagonista, não ter muito a ver com o livro, mesmo ambos tratando do mesmo conteúdo e sendo extremamente diferentes, é desse conto que a estória do filme mais se aproxima. O medo do protagonista de os robôs voltarem-se contra os humanos encontra-se em evidência no conto, no fato de a 1ª lei ser reduzida. Da mesma forma que o fato de o robô, no filme, se esconder entre vários outros robôs de igual modelo encontra seu reflexo, no conto, nos robôs de mesmo modelo e o robô dissimulado que se esconde entre eles.



Capa do livro 'Eu, Robô' de Isaac Asimov, editora Ediouro, resenha do livroEu, Robô  I, Robot
Autor: Isaac Asimov
Ano de Lançamento: 2004 
Número de Páginas: 318
Gênero: Sci-fi
ISBN: 85-00-01529-2
Editora: Ediouro



Boa leitura e até a próxima!




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